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Entenda por que usina de Fortaleza será construída perto de cabos submarinos que garantem internet no Brasil

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A Praia do Futuro é considerada o melhor local para projeto de dessalinização da água do mar. Local fica próximo aos cabos submarinos que trazem internet mais rápido da Europa para o resto do Brasil.

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Uma combinação de fatores explica por que a Praia do Futuro foi escolhida para receber a usina que vai retirar os sais da água do mar para socorrer Fortaleza nos períodos de seca. O projeto despertou a reação das empresas telefônicas pela proximidade com os cabos submarinos que trazem a internet da Europa e conectam o resto do país.

A iniciativa para construir a usina de dessalinização é liderada pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), vinculada à gestão estadual. As obras serão feitas por meio de Parceria Público-Privada com o consórcio Águas de Fortaleza, que venceu edital com investimento previsto de R$ 3,2 bilhões.

Para tornar a água do mar potável para o consumo humano, a região definida para receber a planta é considerada como um dos pontos de melhor qualidade da água na capital cearense. Isso facilita o processo de dessalinização, conforme explica Neuri Freitas, presidente da Cagece.

“É uma água que se renova muito, então a gente não tem muita sujeira, não tem algas. Com a água de melhor qualidade, você acaba otimizando o seu custo lá na estação de tratamento. Porque quanto pior a água, maior o custo na estação de tratamento”, detalha o gestor.

Segundo Neuri, as boas condições da Praia do Futuro justificam por que o projeto não foi levado para outra praia da capital. Um exemplo é a Praia de Iracema, onde a presença dos espigões dificulta a dinâmica de renovação das águas e resulta em maior concentração de algas e outros resíduos.

Os fatores que contaram para a escolha da Praia do Futuro:

  • A qualidade da água é melhor. Isso reduz os custos operacionais da dessalinização, possibilitando também que as tarifas da água tratada sejam menores.
  • A região tem boas condições de correntes marinhas. Sem impedimentos, como os causados pelos espigões em outras praias, a dinâmica das correntes e da renovação das águas facilita a diluição da salmoura — o rejeito do processo de dessalinização, que consiste em uma água com alta concentração de sais a ser transportado de volta para o mar.
  • A praia fica mais perto dos reservatórios que receberão a água potável. Depois de tratada, a água será levada para dois pontos de Fortaleza: os reservatórios do Morro Santa Terezinha e da Aldeota. Caso o projeto fosse instalado na Praia do Pecém, o custo da obra seria maior para transportar a água por mais de 50 quilômetros.

A ideia de ter a usina no Pecém foi bastante discutida, contextualiza Neuri Freitas. A região abriga o Complexo Industrial e Portuário do Pecém, em São Gonçalo do Amarante, município na Região Metropolitana de Fortaleza. No entanto, essa decisão implicaria em mais custos com uma adutora que transportasse a água tratada até Fortaleza.

“Isso seria muito caro, aumentaria em pelo menos 30% a 40% no valor do investimento, então ficaria uma água muito mais cara. Então a gente também pensou na economia, pois todo custo que se adiciona gera impacto tarifário”, comenta o presidente da Cagece.

Com a usina já localizada na Praia do Futuro, será preciso interligar a planta de dessalinização até os dois reservatórios.

A usina é vista como um reforço no abastecimento da capital cearense, que enfrenta dificuldades nos anos em que o Ceará passa por estiagem. Conforme o projeto, a usina deve ampliar em 12% a oferta de água na Grande Fortaleza.

A estrutura da usina inclui uma torre que vai captar a água do mar a 14 metros de profundidade. No primeiro projeto apresentado à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), as tubulações ficavam entre dois cabos submarinos, com distâncias de 40 e 50 metros.

Estes cabos interligam o Brasil e a Europa, garantindo uma conexão rápida à internet. De Fortaleza, os cabos são estendidos até Rio de Janeiro e São Paulo. O motivo é a maior proximidade da capital cearense com a Europa, cerca de seis mil quilômetros.

Conforme a Anatel, esses cabos são responsáveis por 99% do tráfego de dados. E um rompimento destes cabos deixaria o país inteiro off-line ou com a internet bastante lenta. O projeto inicial já teve mudanças a pedido da Anatel. Seguindo uma recomendação baseada em dados do Comitê Internacional de Proteção dos Cabos (ICPC, em inglês), o plano foi alterado para que as tubulações da usina guardem uma distância de 567 metros dos cabos de fibra ótica.

A adequação garante que a usina de dessalinização não vai afetar os cabos submarinos, explica Neuri Freitas. Em nota, a companhia afirmou também que fez alterações no projeto que custaram “na ordem de R$ 35 a 40 milhões”.

O presidente ressalta que a Cagece opera há mais de 50 anos e que tem atuado rotineiramente com mais de 1.200 cruzamentos entre cabos de fibra ótica e estruturas da rede de água e esgoto, incluindo tubulações de pequeno e grande diâmetro.

As articulações para que a usine vire uma realidade continuam. Isso porque, segundo o gestor, a continuação do projeto não depende de uma aprovação da Anatel.

Na próxima quinta-feira (4), o estudo ambiental para construção da usina será apresentado ao Conselho Estadual de Meio Ambiente (Coema). Caso seja aprovado, o projeto segue para apresentação ao Superintendência do Patrimônio da União (SPU), que deve autorizar o acesso do empreendimento ao mar da Praia do Futuro.

Caso o processo siga sem interferências, as obras da usina começam no primeiro trimestre de 2024, podendo ser finalizadas para que o fornecimento de água comece no primeiro semestre de 2026, estima Neuri Freitas.

Fonte: G1

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